Reunião de posse da nova gestão:

Dia 01/12, às 18h, no espaço estudantil!
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Resultado das eleições

1) Canto de Guerra: 32 votos
2) O Grito - onde eles calam, nós falamos: 30 votos
3) A estrada vai além do que se vê!: 154 votos
4) Não pergunte quantos somos: 97 votos
5) Trombeta-Alarma: 78 votos
Brancos: 1 voto
Nulos: 8 votos

sábado, 27 de junho de 2009

Memória: Para a memória - por Laís Abramo

Entrei na Ciências Sociais da USP em 1972. O clima era barra pesada. Sensação de medo, os corredores cheios de tiras. As paredes tinham ouvidos. Manifestações públicas, dentro ou fora do campus, nem pensar. Os "veteranos" estavam marcados pelas histórias das muitas prisões ocorridas no ano anterior: a mais terrível delas a de um colega preso pela Oban em plena sala de aula. Mas também havia muita expectativa: não era pouca coisa estar na USP, no curso de Ciências Sociais. Apesar da sensação de estar vivendo "o fim do poço", desde o início pudemos sentir também os efeitos do que depois eu vim a identificar como uma característica bastante especial da universidade brasileira em tempos de ditadura: ela não foi destruída na mesma medida em que o foram as universidades no Chile, Argentina ou Uruguai.
Na Ciências Sociais isso era muito concreto: não tínhamos mais o Florestan Fernandes, o Octavio Ianni, o Fernando Henrique (naquela época ele não era o FHC) dando aulas, ainda que eles continuassem sendo muito importantes na memória da escola como professores comprometidos, de esquerda, marxistas, que haviam participado junto com os estudantes nas lutas de 68. Mas havia toda uma nova geração de professores, excelentes, e que, de certa forma, "continuavam a luta". E isso foi fundamental para manter a qualidade do ensino, e para que a USP se transformasse, naqueles anos, numa verdadeira "aldeia gaulesa" de resistência à ditadura.
Nós, o grupo de "calouros"de 1972, não perdemos tempo. Estudávamos, e muito. Sofremos algumas torturas, como tentar entender um texto do Marcuse falando do Hegel, logo de entrada. Passávamos horas quebrando a cabeça, lendo e relendo, tentando decifrar dois ou três parágrafos. Mas aquilo era muito estimulante. Um mundo novo se abria. Além de tentar descobrir o que era a sociologia, queríamos sempre saber quem, entre os professores, era "realmente marxista" e o que seria fazer uma sociologia comprometida com o país, com o povo (daí vinham as inumeráveis discussões sobre a "função do sociólogo"). Também nos divertíamos, e muito: festas, chopadas, grupos de teatro.
Segundo semestre: preparação das eleições do Ceupes (o centro acadêmico das Ciências Sociais). Quase todos os diretores eleitos no final de 1971 haviam sido presos. Começamos a participar do processo eleitoral. Queríamos dar a nossa contribuição para sair daquele "fundo do poço". Tínhamos na cabeça a referência do movimento estudantil de 68 (os nossos "irmãos mais velhos") e a clara consciência de que ele havia sido destruído. Queríamos "reconstruir o movimento em outras bases". Identificávamo-nos com a resistência de esquerda, mas tínhamos uma idéia muito clara de que "o trabalho de massa" era o único caminho possível para ampliá-la. Isso significava fazer algo que pudesse aproximar a entidade do "conjunto dos estudantes". Não dava para ficar só denunciando as prisões. Isso era necessário, mas não poderia ser, naquele momento, a atuação central do centro acadêmico. A primeira vez que assisti o pessoal do Ceupes entrando na classe para denunciar as prisões de colegas, tive a sensação de que, da maneira como aquilo era feito, parecia aumentar o medo e a impotência. Daí surgiram as propostas de tentar mexer também com a questão do ensino, do papel do sociólogo, organizar cineclube, grupo de mural. E lá viramos nós diretores do Ceupes.
Depois veio o plebiscito do ensino pago, em resposta à acusação do então ministro da Educação, coronel Jarbas Passarinho, que havia afirmado que a luta contra o ensino pago era resultado de "uma aliança entre ricos e comunistas". A grande maioria dos estudantes que votou no plebiscito apoiou a posição dos centros acadêmicos em defesa do ensino público e gratuito.
De repente 1973: nossa primeira grande "tarefa" como diretoria do Ceupes era organizar a recepção aos calouros. Fim da primeira semana de aula, sábado à tarde, chopada nos barracos. Chega o Bombom, um amigo da Geologia, agitado, assustado: "O Minhoca caiu, e tenho certeza de que ele não vai abrir". Minhoca era o estudante da Geologia Alexandre Vanucchi Leme. Aquilo me assustou. Meio da semana seguinte: estávamos fazendo, à noite, uma reunião de avaliação da semana dos calouros na casa de uma colega. De repente, agitadíssimos, chegam dois amigos da Geologia: "Mataram o Minhoca". Tinha acabado de sair a maldita notícia. No rádio, acho.
Perplexidade total. Esse, a gente conhecia de perto. Esse não estava na clandestinidade (nas semanas anteriores, vários outras pessoas tinham sido assassinadas pela ditadura, na tortura ou no meio da rua). O que fazer? Lembro, como se fosse hoje, da discussão: difícil, tensa (tínhamos, todos, 20 anos ou menos). Havia duas posições. A primeira: não podemos fazer nada; agir agora será dar um pretexto para que a repressão caia mais ainda em cima da gente (ela é muito forte, nós somos muito fracos). A segunda: nada disso, temos que fazer alguma coisa, porque se a gente ficar parado, quieto, aí que eles vão cair em cima cada vez mais. Lembro-me claramente do Bino e do Armando defendendo esta segunda posição.
Saímos de lá sem saber o que fazer. Era tarde, a gente andando, na escuridão, aqueles três ou quatro quarteirões da casa em que estávamos até a avenida Faria Lima. Eu tinha a nítida sensação de que a qualquer momento apareceria um camburão da Oban para nos prender. Insegurança total, desamparo. Fomos até a casa de um amigo da Poli, tentar juntar mais gente para saber o que fazer: os amigos um pouco mais velhos, com um pouco mais de experiência, o pessoal do XI de Agosto, que eram aprendizes de advogado. Os advogados eram figuras importantíssimas na época (os "do bem", é claro): sabiam entender mais a repressão, davam uma certa sensação de proteção naquele contexto de imenso desamparo. Mas enfim, naquela noite de março de 1973, acabamos indo todos para minha casa, pedir a opinião do meu pai, pedir que ele nos ajudasse a pensar (já nos sentíamos muito responsáveis pelo que iria acontecer no dia seguinte na universidade). Porque ele era de esquerda, mais experiente, e jornalista.
Os jornalistas também eram muito especiais na época. Supunha-se que, no meio de toda aquela desinformação provocada pela censura, eles tinham um pouco mais de informação, que nos poderiam ajudar a decidir o que fazer. Mas acho também que, além de todas essas razões, fomos conversar com ele aquela noite porque a sensação de pequenez e desamparo era tão forte, que precisávamos mesmo ter uma figura de pai por perto. Ele e a minha mãe foram acordados e ficamos lá conversando por bastante tempo. Não me lembro o que concluímos. Lembro que cheguei na USP no dia seguinte com a mesma dúvida: o que fazer? Mas logo de manhã tivemos a resposta. Sem muita análise, o pessoal da sala do Alexandre, ao chegar na escola pela manhã e receber a notícia, resolveu interromper as aulas e se declarar em assembléia permanente. O conjunto da escola aderiu imediatamente. O que tinha acontecido era inaceitável. O Minhoca era um cara muito querido. A indignação venceu o medo. Isso deu o rumo para todos nós. Assembléias gerais nas escolas, decretação de luto na universidade. Era uma sexta-feira. Pusemos faixas negras nos prédios em sinal de luto. No dia seguinte todas haviam sido retiradas pela repressão. Aí veio a idéia (que também nos parecia inexeqüível, num primeiro momento) de pedir para o D. Paulo Evaristo Arns rezar uma missa na Catedral da Sé. Parecia inexeqüível porque pouco tempo antes ele havia se recusado a rezar uma missa pelo Otavinho, um assassino da Oban que havia sido "justiçado" por alguma organização de esquerda. E o Alexandre era apresentado pelos jornais como um "perigoso terrorista da ALN". As negociações duraram vários dias. Até que o D. Paulo, num imenso ato de coragem e dignidade, aceitou rezar a missa. Que foi celebrada na sexta-feira, pleno 30 de março, um dia antes do 9º aniversário do golpe de 1964.
Duas canções
Os agentes da Oban filmando ostensivamente, por segundos ou minutos que pareciam eternos, a cara de cada um de nós. Presente o tempo todo a sensação de que a polícia poderia cercar a igreja. Sérgio Ricardo cantando Calabouço: Edson Luís em 68, Alexandre Vanucchi Leme em 1973. Tenuamente começávamos a refazer os fios de uma história que havia sido cortada, brutalmente interrompida. O texto da missa falava do "nosso irmão Alexandre, morto misteriosamente", reivindicando o seu exemplo de luta ("para que as suas vida e morte não tenham sido em vão"), questionando duplamente a versão da ditadura: de que Alexandre era um "perigoso terrorista", e de que ele havia morrido atropelado por um caminhão numa tentativa de fuga ao receber a ordem de prisão. Pode parecer pouco hoje, mas naquele momento tratava-se de uma disputa simbólica, pela linguagem, pelas versões da história, que era de importância crucial.
A polícia estava lá fora. Ninguém sabia direito o que fazer. Para todos nós aquilo era inédito. Os padres oficiantes recomendavam insistentemente pelo microfone que todos saíssem em grupos, ordenadamente. De repente, eles começaram a cantar a música de Geraldo Vandré, "Caminhando e cantando e seguindo a canção...". Além de muito emocionante, foi realmente uma saída muito inteligente. E inaugurou outro símbolo, outro código, que nos serviria muito, muitas vezes mais. Apesar disso, vários estudantes foram presos na saída da missa.
Na segunda-feira seguinte a USP não era mais a mesma. Era um pouco melhor. Todos nós éramos um pouco melhores. E um pouquinho mais fortes. Não há nenhuma dúvida de que o Bino e o Armando tinham toda razão na discussão daquela noite.
*Laís Abramo é socióloga e foi militante do movimento estudantil nos anos 70.

domingo, 26 de abril de 2009

Histórico de 1957-2004

"Fundado em 11 de outubro de 1957, a entidade foi originalmente concebida como Centro de Estudos, assim como as demais entidades estudantis da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Passa por um processo de politização crescente a partir da década de 60 que culmina na intensificação da luta contra a Ditadura Militar. A repressão levaria ao abando forçado da entidade e à eleição de gestões entre 1969 e 1970, sob uma política de clandestinidade. As atividades são abertamente retomadas a partir de 1971-72 quando a entidade é reestruturada. Ao longo da segunda metade da década de 70 o CEUPES é palco de intensas disputas entre as tendências organizadas no ME. A partir do final dos anos 70 passam a predominar os chamados grupos independentes, até o inicio da década, quando é posta em prática uma experiência, relativamente mal sucedida, de "auto-gestão". Passa por um momento de desmobilização ao longo da década de 80 (?) período em que seu acervo é destruído em incêndio (1984), possivelmente criminoso. A entidade se recupera ao longo da década de 90. Atualmente vem sendo gerida por um núcleo político que se mantém, através de renovações, desde meados de 1999. Recentemente seu acervo foi recomposto e sua história reconstituída".

domingo, 22 de março de 2009

Carta Programa da Gestão "Canto Geral"

CONCEPÇÃO DE CENTRO ACADÊMICO E DE MOVIMENTO ESTUDANTIL

A chapa Canto Geral surge com a disposição de mudar a cultura política do Movimento Estudantil das Ciências Sociais. Para isso, formulamos, coletivamente, um programa político a ser debatido com o conjunto dos estudantes. Acreditamos que uma gestão do Centro Acadêmico deve ser baseada na formulação coletiva, apresentada e debatida democraticamente, visando ao
fortalecimento da entidade. Acreditamos que, somente com a disposição firme em expandir o debate a todos os estudantes, o Movimento Estudantil poderá oferecer-se como alternativa de construção coletiva.
O CEUPES deve estar presente no cotidiano do curso, sendo uma ferramenta de organização dos estudantes que devem reconhecer a entidade como espaço de participação, representação e aglutinação em torno das pautas que se relacionam com seu cotidiano. O Centro Acadêmico deve promover atividades que aproximem os estudantes e ser um espaço plural, que busque a superação da falsa dicotomia que temos assistido entre estudantes “ativistas” e estudantes das salas de aula. Por seu caráter transitório, o Movimento Estudantil necessita de uma entidade representativa e consolidada.
Além de impulsionar a construção de referência num Movimento Estudantil amplo e democrático, o CEUPES deve representar os estudantes de Ciências Sociais no debate com outros setores com que nos relacionamos – desde outras entidades estudantis e, até mesmo, os departamentos, a diretoria e a reitoria.
É fundamental que o Movimento Estudantil tenha a disposição em estabelecer diálogo com o conjunto de estudantes, buscando atingir sua realidade mais próxima, suas pautas e demandas. A luta prioritária que o M.E. deve travar é pela defesa da educação pública e de qualidade, que seja democrática em seu acesso e que garanta uma formação crítica. Só assim alcançaremos um avanço de consciência capaz de imprimir transformações.
Nós, da chapa Canto Geral, consideramos prioritária a luta contra a lógica presente na precarização da Universidade e no individualismo. Assume, portanto, importância capital, o estímulo à participação ampla e a disposição cotidiana de um Movimento Estudantil que assuma a defesa da construção coletiva. Nós, da chapa Canto Geral, queremos um Centro Acadêmico representativo, que seja o lugar do debate horizontal e democrático. Queremos consolidar uma entidade que esteja presente no cotidiano dos estudantes.

UNIVERSIDADE E EDUCAÇÃO
Temos assistido, nas últimas décadas, a um processo de diminuição dos investimentos públicos na educação e, conseqüentemente, na Universidade. Ao mesmo tempo, a iniciativa privada busca explorar lucrativamente o setor em detrimento de um ensino crítico que responda às necessidades da população. Isso se reflete num processo de precarização da educação.
Nesse contexto, ganhou impulso a atuação das fundações privadas, que, travestidas como instituições de apoio à universidade sem fins lucrativos, são, na verdade, empresas que se utilizam da estrutura, dos professores e da “marca USP” para obter seus ganhos. Além do uso oportunista de recursos públicos, desenvolve-se uma rede de relações promíscuas entre a burocracia acadêmica e as fundações. Como conseqüência, professores – que deveriam dedicar-se integralmente às atividades de ensino, pesquisa e extensão na Universidade – desviam suas atividades para a produção ligada às Fundações em troca de complementos salariais. O Movimento Estudantil deve combater essa lógica, voltando-se contra as Fundações e a estrutura de poder vertical que a USP possui.
O processo de sucateamento da Educação torna-se evidente quando pensamos o recente projeto de Ensino à Distância. A Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) é um programa do Governo do Estado que pretende ampliar, virtualmente, as vagas do ensino superior. É preciso esclarecer, porém, que se trata de uma política paliativa por trás de uma suposta democratização do ensino. Aulas virtuais já são comuns na rede privada de ensino, por exemplo, e verifica-se que o aprendizado é prejudicado pela distância professor-aluno. As aulas são apresentações multimídia preparadas previamente pelos professores e, assim, os alunos tornam-se meros observadores: não participam da discussão profunda do conteúdo, seja entre si ou com os professores. A Univesp é, em um primeiro momento, destinada às Licenciaturas. Justamente por assumir a grande falha do Ensino Público - o baixo preparo dos professores - é que este projeto vem à sociedade como suposta forma de ampliar vagas e formar novos professores. No fundo, há uma preocupação do governo em aparentar uma melhora nas estatísticas com o intuito, por exemplo, de atrair investimentos para o Estado.
A chapa Canto Geral defende a indissociabilidade do tripé ensino, pesquisa e extensão. Na esfera do ensino, seguindo a política de sucateamento do ensino público, tem-se visto uma dissolução da relação entre professor e aluno graças à distância gerada por salas cada vez mais cheias. Entendemos, também, que a natureza do financiamento determina o caráter das pesquisas realizadas na Universidade. Deste modo, defendemos o financiamento público das pesquisas e a prioridade das demandas da sociedade em detrimento da lógica de mercado. A extensão, por sua vez, converte-se em via expressa de acesso do mercado à universidade por meio de fundações, empresas juniores (que muitas vezes funcionam como uma “fundação” estudantil), cursos pagos ou a figura do assistencialismo. Nós defendemos projetos de extensão que estimulem a produção científica e intelectual dos estudantes atrelada à transformação efetiva da sociedade e, por isso, consideramos fundamental o debate sobre extensão universitária em nosso curso.
Com os desdobramentos que a crise econômica atual trará, veremos, uma vez mais, virem à tona os problemas relacionados ao financiamento da Universidade. Consideramos fundamental que o Movimento Estudantil promova, de fato, o combate à precarização da educação pública. Deve-se fazê-lo através do debate amplo, democrático e transparente, que busque, de fato, uma construção coletiva de nossas pautas.
Espaços & Cultura

A discussão sobre ESPAÇOS é pauta freqüente no Movimento Estudantil. Para nós, da chapa Canto Geral, é importante o amadurecimento do discurso e da luta por espaços que contemple a necessidade de ser público e que seja gerido pelos estudantes, por meio de suas entidades, sem intervenções autoritárias. A questão dos espaços proporcionou o debate mais acalorado no prédio do meio em 2008. As discussões têm sido feitas tanto entre os próprios estudantes, quanto entre os setores com poder de mando da FFLCH. Evidentemente, ambos os setores têm interesses e planos próprios para a questão, especialmente quando se trata do Espaço Estudantil. Este talvez tenha sido a conquista mais importante do Movimento Estudantil de nosso prédio em tempos anteriores e vem sofrendo ataques, por parte da diretoria, e abusos por parte de grupos inconseqüentes, que fazem mau uso dele e não se responsabilizam pelos efeitos das suas ações. Isso acaba afastando os próprios estudantes, que, em sua maioria, não têm interesse em freqüentá-lo.
Efeito similar é causado pelo precário estado de conservação do local, fortalecendo o argumento da direção da faculdade de que ele deveria ser usado para outros fins e não como um “simples” local de convivência estudantil. Entretanto, não podemos nos esquecer nem restringir tal discussão, uma vez que é necessária a garantia da circulação, da vivência, do debate político e do intercâmbio de idéias incluindo estudantes, professores, funcionários e a comunidade externa. Fica clara, portanto, a necessidade de um projeto de ocupação efetiva do Espaço Estudantil que supere toda a sua degradação atual e o oportunismo de grupos descompromissados com a construção coletiva e democrática. Este projeto deve ter como principais finalidades desenvolver propostas culturais e políticas, preferencialmente relacionadas ao nosso cotidiano e às nossas necessidades enquanto estudantes, revertendo os recursos angariados para a manutenção física do local pelas entidades. O desenvolvimento de atividades culturais é uma prioridade da nossa chapa, pois se apresenta como uma demanda concreta no âmbito estudantil. Elas são uma maneira de integrar os estudantes do prédio, bem como de dialogar com a comunidade externa. É nossa intenção proporcionar meios para que tal articulação se expresse, podendo, desta forma, dar continuidade a um processo de intercâmbio cultural. Este movimento tem de ser dinâmico e multilateral para que seja respeitada a própria característica de sua formação.
Em relação aos espaços, nós, da chapa Canto Geral, não nos restringiremos àquele delimitado como o Espaço Estudantil, buscaremos contemplar o espaço como um todo, ou seja, focaremos o prédio do meio na sua amplitude e lutaremos, em última instância, pela consolidação de um espaço de qualidade, com manutenção das salas de aula, de espaços exteriores e a implementação de projetos que garantam maior acessibilidade. Por isso, defendemos a reativação da Comissão de Segurança e Qualidade de Vida com caráter deliberativo.
O Papel e a Formação do Cientista Social

Ao fazer a análise do papel do cientista social, surge a necessidade de compreender o ensino como um todo. Sendo pautada pelo arranjo econômico-social de uma época, a educação é determinada de modo a responder às necessidades da organização da sociedade como está dada. Aquele que opta pelo estudo das Ciências Sociais visa aprofundar-se na ciência “que tem por objeto estudar a
interação social dos seres vivos nos diferentes níveis de organização da vida”. Esta é a ampla definição de Florestan Fernandes acerca do que seria a Sociologia. Entretanto, focando esta definição no “homem”, nota-se que o cientista social tem como objetivo estudar a interação entre os homens, sendo ao mesmo tempo nada mais que um “homem”. E é por este motivo que o mesmo Florestan Fernandes diz que “para o cientista social, não há neutralidade possível”. O objeto das Ciências Sociais é o homem em associação com seu semelhante. Desta forma, para o cientista social, não há como fugir da condição de objeto incondicional de seu estudo.
Durante os dois primeiros anos, somos apresentados à Antropologia, à Sociologia e à Ciência Política pelos seus respectivos departamentos. São três perspectivas de compreensão da realidade que devem ser equilibradas por nós estudantes e que, desta forma, acabam por delinear a formação individual de cada um de acordo com as escolhas feitas durante todo o processo acadêmico. Para nós, o Centro Acadêmico tem de estar, juntamente com todos os estudantes de Ciências Sociais, na linha de frente da defesa de um currículo que esteja em compasso com a realidade brasileira. Assim, acreditamos que a própria formação do cientista social deve trazer, a partir da crítica e da reflexão, o germe da modificação da realidade político-social brasileira. A luta pelo aumento do caráter crítico de nossa formação só será possível se o debate de forma e conteúdo do conhecimento trabalhado em sala de aula chegar até os estudantes. Como gestão do CEUPES, nós, da chapa Canto Geral, estaremos dispostos a trazer este debate para os fóruns do Movimento Estudantil, de modo a retirar a exclusividade de discussão dos departamentos e colocá-la entre os estudantes. A luta junto às instancias burocráticas da faculdade será tocada. Isto não nos impede, contudo, de tomar a iniciativa, trazendo fatores que consideramos imprescindíveis para a formação crítica do cientista social e para o dia-a-dia dos estudantes. Desta forma, visamos à complementação da formação da sala de aula com debates e palestras que supram estas demandas e estimulem o uso de toda a teoria aprendida em sala de aula para refletir a realidade presente.
O Centro Acadêmico não pode ausentar-se desta discussão, tendo o dever de estimular a reflexão, a crítica e a formulação acerca do papel do mercado de trabalho na produção do cientista social e, inversamente, o papel do cientista social dentro do mercado e da sociedade. Um C.A. realmente representativo deve levar em conta essa situação, trabalhando com a perspectiva de levar a todos à reflexão sobre nossas condições de trabalho, criando mecanismos de representação organizada, formulação e conquista das nossas reivindicações. A chapa Canto Geral se coloca contra formas privadas e que visem ao lucro de intercâmbio com a sociedade. Queremos estimular o debate sobre extensão e impulsionar a constituição de um Escritório Piloto de Extensão Universitária nas Ciências Sociais. A possibilidade de atuação do cientista social não se restringe àquilo que está disponível no mercado. Questões de gênero, de cor e de classe merecem o olhar atento dos que estudam a sociedade.
Assim, as ciências que estudamos encontram possibilidade de deixar de ser exclusividade acadêmica e ir ao encontro da população. Compreendemos que não basta discutir todas as questões de forma e conteúdo de nosso conhecimento pensando apenas para dentro da academia. Se temos a necessidade de discutir o nosso próprio currículo, temos a responsabilidade de refletir como queremos que seja o contato da juventude e da população de modo geral com as Ciências Sociais.
A lei que tornou obrigatório o ensino de Sociologia no Ensino Médio não garante uma formação crítica. Tanto a condição de trabalho dos professores de Sociologia quanto o conteúdo apresentado em sala de aula merecem atenção de nossa parte. Estamos dispostos a trabalhar, desde o início, para a construção de disciplinas que contribuam para o fortalecimento da democracia em nosso país, explorando o potencial critico da Sociologia.
Entendemos que há um momento oportuno para a colocação deste debate. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo acaba de aprovar o currículo-base do ensino de Sociologia no Ensino Médio. Diante do que foi colocado, não nos ausentaremos desta discussão. Para isso, colocaremos esta pauta de forma intensa durante o ano e nos propomos a construir uma Semana de Sociologia no Ensino Médio.
PROPOSTAS

_Construção de fóruns democráticos, construídos amplamente e de acordo com as pautas do Movimento Estudantil e das necessidades dos estudantes;
_Manter na ordem do dia o debate sobre estrutura de poder, impulsionando, num ano de eleições na USP, uma campanha por eleições diretas para Reitor;
_Impulsionar, desde o primeiro momento, o debate sobre meio-ambiente no curso, mantendo e ampliando um Grupo de Trabalho sobre Meio-Ambiente;
_Busca de articulação com o Centro Acadêmico de Filosofia para a construção conjunta de atividades, além da articulação com outros CAs da FFLCH e com o DCE da USP;
_ Fomentar o debate sobre extensão no curso e impulsionar a construção de um Escritório Piloto
_Construção de uma Semana de Sociologia no Ensino Médio;
_Compromisso de manutenção da Semana de Ciências Sociais (SeCS) construída democraticamente pelos estudantes.
Plano de Ocupação do Espaço e Cultura:
_Criação de uma Comissão de Cultura do Prédio do Meio, em conjunto com os estudantes da Filosofia, reunida quinzenalmente para pensar e realizar atividades culturais conjuntas;
_Manutenção e ampliação da DVDteca do CEUPES;
_Atividades lúdico-esportivas que promovam a integração dos estudantes, como festas, campeonatos (xadrez, sinuca...), aulas públicas de yoga, capoeira, oficinas de fotografia e apresentações de teatro;
_Arrecadação de doações para revitalizar o Espaço Estudantil com mobília, cinzeiros, lixos, além da realização de mutirões de limpeza pelos estudantes;
_Ciclo de filmes e debates;
_Busca da reativação da Comissão de Segurança e Qualidade de Vida;
_Café com o CEUPES – Rodas de discussão com Movimentos Sociais e com estudantes que queiram apresentar e discutir seus trabalhos de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado;
_Debate sobre opressões e núcleo de mulheres.
Política de divulgação:
_Manter uma política de divulgação de atividades efetivas, mantendo um blog do CEUPES atualizado;
_Construção de um Jornal do CEUPES em que os estudantes possam divulgar seus textos, desenhos e charges.

Queremos um Movimento de Todos os Estudantes

A “Canto Geral”, atual gestão do CeUPES, tem como prioridade construir um movimento estudantil do conjunto dos estudantes, um espaço de discussão e prática que remeta ao cotidiano de nosso curso e que se funde na base do entendimento aprofundado das pautas, fortalecendo o caráter consciente e transformador da política estudantil. O movimento só pode ser realmente democrático, se um grande número de estudantes participarem das discussões, se colocando como protagonistas de todo e qualquer processo que for chamado em nome deste conjunto do qual todos fazemos parte. Para que esta concepção se torne de fato a prática do movimento no nosso curso, temos de ampliar os espaços destinados à informação, todos tem de ter acesso ao real caráter das pautas, podendo desenvolver opiniões e propostas. Assim, o movimento estudantil não será um espaço onde uns poucos falam para muitos apenas escutarem. Queremos um Movimento Estudantil de todos os estudantes!
Além da iniciativa do “Café-com-CeUPES”, que visa uma primeira abordagem sobre assuntos pertinentes tanto aos alunos de Ciências Sociais, especificamente, quanto aos estudantes em geral, queremos disponibilizar mais espaços de informação. A atual gestão do Centro Acadêmico identifica na reedição do Blog uma importante ferramenta para ampliar e aprofundar as discussões em nosso curso. Assim como a “PASTA-CeUPES” na Xerox, o Blog é uma iniciativa que busca reunir o acúmulo do ME sobre cada pauta tratada nos fóruns. Lá o estudante encontrará textos explicativos, manifestações críticas e links disponíveis para a sua informação, garantindo bases para a reflexão de cada estudante sobre o seu dia-a-dia na universidade.
Esperamos que a articulação de todos os espaços se faça suficiente para uma prática política consciente dos estudantes. Não será o Blog apenas que colocará o estudante como protagonista deste movimento. Entretanto, se utilizado como fonte de informação, tem um grande potencial para elevar o grau de consciência na prática diária dos estudantes. Será no contato com os projetos de políticas educacionais, declarações de setores importantes da academia e da sociedade, assim como dos próprios estudantes que nos faremos inteirados do que realmente acontece a nossa volta, podendo pensar em conjunto o que deve ser feito e como deve ser feito. Desta forma, e só desta forma, o conjunto dos estudantes de fato participará da reflexão, da proposição e da ação, sendo um movimento realmente estudantil do começo ao fim. Se tiramos dúvidas e fazemos questão de estarmos a par do que nos está sendo dito em sala de aula, na nossa formação individual, porque não fazer o mesmo com a nossa formação coletiva? É nesse sentido que a “Canto Geral” gostaria convidar a todos para visitarem sempre que possível o Blog do CeUPES, mandando as suas contribuições para que possamos juntos construir um movimento com a cara dos estudantes.

contato: ceupes2009@gmail.com